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Textos mais lidos

Posted by : Felippe Alves terça-feira, 26 de janeiro de 2016

(Sobre eu ter falado que usaria as férias pra escrever e produzir, e acabar gastando uma semana inteira jogando videogame e experimentando sabores de jujuba...)

Há alguns dias me flagrei pensando, durante uma partida de dominó na qual Chubble acidentalmente engoliu uma das peças acreditando ser chocolate... quem escreveu as regras da utilidade da vida?
Provavelmente um tirano ditador que sofria de calvície desde os primeiros anos da maturidade, que num nada belo dia decidiu que seriam considerados úteis as ações que, direta ou indiretamente, enchessem os bolsos de dinheiro ou vale-trocas de postos de gasolina. Estudar = útil, trabalhar = útil, dançar zumba com seu animal de estimação = perda de tempo.
E não importa nosso estado de humor. Mesmo nos dias mais inúteis de nossa mente, somos praticamente empurrados em direção a uma pilha de afazeres que gritam “Vamos! Tempo é dinheiro! Seja alguém na vida! Produza! Você é um homem ou um saco de alcachofras?!”

Mas será mesmo? Afinal, pra que é que trabalhamos tanto? Precisamos de dinheiro pra que possamos ter condição de comprar roupas, livros, ingredientes para receitas de bolo Marta Rocha, e tudo mais aquilo que acreditamos (erroneamente ou não) nos fazer felizes. Qualquer coisa que nos faça sorrir.
Sorrir... no frigir dos ovos de codorna, não é isso que estamos sempre buscando? Sorrisos. Consideramos útil tudo aquilo que, a longo prazo, um dia nos dê dinheiro pra que possamos ter condição de sorrir, já que vivemos numa sociedade que só sorri com aquilo que se compra.
“Faz sentido”, Chubble diria, “Não há como sorrir sem pagar um bom ortodontista”. Bom... se tivesse lido com atenção um de meus antigos poemas, ele saberia que não. Sorrisos não podem ser comprados. Por mais que isso seja difícil de se entender hoje em dia.
Nunca fui uma pessoa que gosta de extremismos. Assim, da mesma forma que não aprovo alguém que se entrega inteiramente à escravidão de um emprego, não digo que acho sensato se render a uma vida de ações vazias e sem propósito. Mas o que defendo nesse pequeno desabafo seja talvez uma questão de equilíbrio.
Um equilíbrio onde saibamos apreciar as coisas inúteis da vida. Ações bobas como apostar corrida com os amigos, se submergir num livro por horas, brincar de adedonha ou até mesmo tirar aquela boa soneca. Ações que nos tragam sorrisos. Sem que precisemos ter que trabalhar anos e anos, pra só depois comprarmos bens materiais que um dia nos façam arreganhar os dentes em felicidade.
Ser inútil faz bem de vez em quando. Afinal, se inútil é aquilo que nada produz... uma reles ação que lhe brote um sorriso, já possui utilidade.
Por isso, não se acanhe. Você não precisa ser mega-produtivo todos os dias. Use agora aqueles bons minutos. Vá assistir aquele filme, assaltar aquela geladeira, ou estralar aqueles dedos dormentes. Coloque os braços pra trás e deixe que cada músculo se espreguice numa preguiça risonha.
Inutilize-se. Só por hoje. De vez em quando, faz bem. Faz sorrir. Faz-se útil.


{ 6 comentários... read them below or Comment }

  1. Adorei o texto e reflexão que ele traz. E concordo que as vezes é preciso e até importante fazer coisas inúteis ou pouco produtivas. Levar a vida muito a sério as vezes cansa, neh. Bjs

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    1. Com certeza!Ninguém merece uma vida levada muito a sério o tempo todo! Abraços!

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  2. Muito boa sua reflexão e me peguei sorrindo durante a leitura. Obrigada pelo momento inútil, mas que me trouxe um sentimento útil :)
    Bjs, rose

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    1. Se brotou o sorriso, ótimo! A utilidade foi ótima! Continue acompanhando! :))

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  3. Oii,

    Adorei o texto.
    Vale muito a pena a reflexão sobre a nossa vida!!

    beijos

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    1. Que bom que gostou! Muito obrigado! Continue acompanhando!

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