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Archive for Fevereiro 2016

Leitores nos furtam histórias
O menino
roubava o cheiro dos livros.
Dos aromas
tirava memórias e as depositava em frascos de vidro
Em seu quarto, a coletânea
de livros que havia lido e bem escondido extraíra o perfume.
Na prateleira, cada frasco
cheirava uma história.

Damas nos furtam rosas,
mas no bar de tapas da esquina a dama furtou-lhe a atenção,
Portando o tal livro entre os dedos – e verde-água as vestes que usava.
O crescido menino a cheirava e o surpreendia tamanho perfume
Como pode um humano exalar
aquilo que só os tais livros cheiravam?
Encontros,
Risadas,
O beijo.
Casal tão íntimo, ainda tão vívida a dura questão.
No sorriso e coração aberto, mostrou-lhe a dama em verde-água
Que quando escrevia livros próprios,
Criava cheiros de inspiração.

Livros nos furtam tempo,
Deles furtamos tudo.
Cada aroma, cada odor.
De seu reles escritor.
Escritora aquela dama, lhe deu livros,
Deu-lhe amor.
- Mas todos os cheiros vêm de pessoas?
- Toda essência vem de um alguém.
Um livro é um porta-memórias,
Disso a autora sabia bem.
E juntos viveram romance,
Sentiram o drama e a ficção.

Anos mais tarde, se foi a dama,
Resta na cama o viúvo leitor
Na prateleira, um único frasco
que não possui mais cheiro de livros,
mas o cheiro da nuca da dama – que lembra manhãs bem despertadas
E quem sabe um dia, o não-mais-menino decida
derramar o frasco em algum livro
de sua própria autoria
venda
e compremos

Pois que bom leitor não há de se apaixonar
por um livro com cheiro de amor?



Furto

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