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Archive for Março 2016

“Vocês acabaram de ser bombardeados com endorfina! O hormônio do prazer!” diz a professora de spinning após liberar os alunos triturados e empapados de suor que terão câimbras na bunda após sofrer com o banco duro das bicicletas aeróbicas. O exercício pode ser uma tortura, mas realmente, nos dá ânimo e disposição pra um resto de dia bem sorrido. Como se queimar calorias sobre aqueles demoníacos aparelhos de metal nos fizesse sentir que somos mais úteis do que amebas. A preguiça atrapalha. A vontade de fugir pra comer uma coxinha também. Mas render-se a academia e sofrer aquela dose matinal de exercícios não dá apenas um prazer pós-treino, dá um diferencial na qualidade de vida.
Correto?
                Mas este não é um texto didático para alunos de fundamental falando sobre a importância da atividade física. Porque disso todo mundo já sabe. Esse texto é pra falar de algo que muita gente já sabe, mas não se arrisca a falar.
                Os instrutores da academia.
                Possuem uma simples função: instruir.
                Mas é claro, que dentro de todo grupo de seres humanos, há sempre alguns diferenciados... no mal sentido. E é destes especificamente que estou falando aqui. Dos instrutores que vão além de instruir.
                Chubble sabe bem que nunca fui do tipo dotado de resistência física, qualidade gerada por nossas constantes bacias de Doritos durante episódios de séries de TV. Começar a academia há alguns meses não foi uma tarefa fácil. Mas todo pequeno sedentário deve começar do início. Com calma e persistência.
               

Mas mal começam os treinos, e lá vem um dos instrutores e ri na minha cara, porque eu não consigo fazer um dos exercícios de peso até o fim. Dá licença, senhor, se eu fosse profissional, eu seria instrutor, e não aluno.
                Pois então que lá veio a outra instrutora durante um dos exercícios de bíceps que, pra variar, eu não sei bem o nome.
                “- Vamos! Você não está levantando direito! E pode aumentar esse peso!
                - Eu sei. Tenho dificuldade com esse exercício. Não tenho força nos bíceps. É a primeira vez que...
                - Vamos! Levanta!
                - Não consigo ir mais do que isso! Vou abaixar um pouco o peso...
                - Abaixar? Vai abaixar pra 15?
                - Com o tempo, eu vou aumentando, mas por enquanto meus braços não pegam 20 quilos...
                - Vai colocar 15 quilos?! Isso eu pego numa mão só.
                - Sério? Ainda bem que quem tá fazendo esse aqui sou eu e não você.”
                Dá licença, moça? Em que momento no contrato da academia a sua opinião veio inclusa nos benefícios? Sei que seu serviço é estimular o pessoal a se esforçar cada vez mais. Mas se eu tô sentido a porra do meu braço latejando, eu não vou aumentar a bosta do peso ainda mais! Talvez amanhã...
                O que a tal moça e alguns outros do local não entendem é que nem todo mundo ali está procurando ficar com os músculos do braço definidos no tamanho de melões. Alguns simplesmente estão fazendo uma atividade física por questões de saúde.
                Existe gente, tipo Chubble e Eu, que decidiu encarar a vida ali no meio dos aparelhos porque sabe que a saúde pede, mas não porque decidiu se render aos tão falados “padrões de beleza”.
Estou morrendo no spinning, sofrendo na esteira, me acabando em abdominais, mas não tô a fim de ser do tipo que se gaba pela quantidade de quilos que carrega. Se fosse orgulhoso, preferiria me gabar pela quantidade de livros que eu leio.
Então, querido Instrutor que ri na minha cara, e prezada Instrutora que critica minha falta de preparo. Fodam-se. Eu continuarei pegando a quantidade de quilos que eu der conta. E aumentarei o peso um pouco de cada vez, respeitando meus próprios limites.
No final do dia, quem paga a conta da academia sou eu mesmo. E, por mais que eu saiba que vocês dois não estão lendo esse texto, eu fico feliz em desabafar com o Chubble sem ter que perder a educação em público.
Mas saiba que da próxima vez que um de vocês vier dar opinião onde não deve, minha cabeça estará formulando uma única imagem:

Dá licença... e se eu não quiser ser musculoso?

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